Isabella Abreu
誰もいない空の中に
dentro do céu que não tem ninguém
ぽっかりと浮かぶ雲
as nuvens flutuam
少しずつ消えてゆく
desaparece pouco a pouco
Suzuki Tsunekichi1
A gente matávamos bentevi a soco.
Manoel de Barros
A lua flutua, recente: forma de construir um desaparecimento de nossos fantasmas. Como se a imagem chegasse cedo ou tarde demais, Isabê dobra a figura num movimento onde, se primeiro não estabiliza como representação, em segundo opera como ocorrência frágil, sempre próxima do apagamento. Se a matéria aqui se constitui justamente no que se perde, o que ainda tocamos como “ver”? Ao produzir uma inscrição instável na matéria pictórica, em vez de presença plena, um regime de persistências parciais nos aloca. Se os fantasmas não são aquilo que vemos, mas aquilo que condiciona o ver, onde começa - e onde termina - a imagem? Camadas, restos, retornos, falhas: se o que vemos é sempre o que já começou a desaparecer, o ofício de pintar aparece menos como expressão: um trabalho de fricção: insistir, cobrir, raspar, recalibrar a presença até que ela se torne vestígio, afinal, se o ofício de pintar for menos fazer aparecer, mas fabricar um atraso para o olhar tropeçar, e o desaparecimento é o modo como a imagem existe, não é a “presença” que vira uma superstição do olhar?
Febraro de Oliveira